Inventário

Inventário: é possível fazer sem dinheiro para pagar todas as despesas?

Ícaro Picolli · · 3 min de leitura

Quando uma pessoa falece e deixa imóveis, veículos, aplicações financeiras ou outros bens, os herdeiros precisam regularizar a transmissão desse patrimônio. Entretanto, nem sempre a família possui dinheiro disponível para custear o inventário.

Essa situação gera uma dúvida comum: se existem bens a partilhar, mas não há recursos para pagar as despesas do procedimento, o que pode ser feito?

Quais são os principais custos do inventário?

As despesas variam conforme o patrimônio, o procedimento escolhido e as regras aplicáveis. Entre os principais custos podem estar:

  • Imposto sobre a transmissão causa mortis (ITCMD);
  • Honorários advocatícios;
  • Emolumentos de cartório, no inventário extrajudicial;
  • Custas judiciais, quando aplicáveis;
  • Despesas com certidões, avaliações e regularização de documentos.

Por isso, antes de iniciar o procedimento, é importante levantar os bens, verificar a documentação e estimar os custos envolvidos.

O que fazer quando os herdeiros não têm dinheiro disponível?

A falta de recursos não significa, por si só, que o patrimônio ficará para sempre sem regularização. Dependendo do caso, podem ser avaliadas alternativas como parcelamentos tributários previstos na legislação aplicável, utilização de recursos disponíveis no espólio e medidas judiciais para viabilizar o pagamento de despesas necessárias.

Em determinadas situações, pode ser necessário avaliar judicialmente a possibilidade de utilização ou alienação de um bem do espólio para custear obrigações relacionadas ao inventário. Isso depende das circunstâncias, das autorizações necessárias e dos interesses envolvidos.

Também é importante verificar se há valores em contas bancárias, aplicações ou outros ativos que possam ser utilizados legalmente no procedimento.

É possível vender um imóvel antes de terminar o inventário?

Existem situações em que a alienação de um bem durante o inventário pode ser viável, mas ela não deve ser tratada como uma venda comum. É necessário examinar a situação do espólio, a concordância dos interessados, a finalidade da operação e as autorizações legais ou judiciais cabíveis.

Não é recomendável assumir compromissos com compradores antes de verificar se a operação pode ser realizada com segurança.

Por que o planejamento dos custos é importante?

A análise inicial permite identificar os bens, estimar as despesas, verificar a documentação e estudar alternativas adequadas à realidade da família.

Cada inventário tem particularidades. A solução depende da composição do patrimônio, da existência de recursos disponíveis, da situação dos herdeiros e das normas tributárias aplicáveis.

Conclusão

Ter patrimônio não significa necessariamente ter dinheiro disponível para regularizá-lo. Quando os herdeiros enfrentam essa dificuldade, uma análise jurídica e patrimonial prévia pode ajudar a identificar caminhos viáveis e evitar decisões precipitadas.